
Timon (MA), 24 de agosto de 2025 – A X Mostra Timonense de Humor (MTH) teve como grande homenageado o poeta Barripi, figura marcante da cultura popular e da memória coletiva de Timon. Conhecido por sua genialidade, irreverência e dedicação à educação, Barripi deixou um legado que atravessa gerações e continua a inspirar artistas, professores e estudantes.
Da infância ao reconhecimento acadêmico
A história de Barripi foi resgatada em um trabalho de conclusão de curso (TCC) da pesquisadora Juliana Bezerra Lima, que o escolheu como tema após recordar suas memórias de infância. Ela lembrava do poeta caminhando pela Rua Adão Belarmino do Vale, onde as crianças o chamavam de “Poeta”. Nessas ocasiões, Barripi sentava-se com elas e recitava versos sobre gramática, política e até poemas tristes, só sendo liberado depois de declamar suas criações.
Apesar da riqueza de sua produção literária, pouco havia sido escrito sobre ele, o que tornou a pesquisa desafiadora. Juliana contou com o incentivo de professores como Sônia Leite, amiga do poeta, para dar forma ao estudo.
Um autodidata genial
Barripi era um autodidata de inteligência impressionante, capaz de transitar entre a literatura popular e a clássica. Exímio escritor de cordéis, apaixonado por enciclopédias e dicionários, chegou a criar um poema inteiro sem a letra “E”, demonstrando sua habilidade criativa.
Ele também escreveu parte da gramática em formato de cordel, tornando o aprendizado mais acessível e divertido para as crianças. Por isso, era visto como um verdadeiro “Dom Quixote de Timon”, sempre lutando para incentivar a leitura e buscando apoio da prefeitura e da Secretaria de Educação para seus projetos.
Crítico social e político
Além de educador popular, Barripi foi um forte crítico social e político. Durante a ditadura militar, chegou a ser considerado anarquista por sua postura revolucionária e por denunciar injustiças em seus versos. Essa coragem o tornou uma voz de resistência e inspiração para muitos.
Poesia marcada pela vida
Barripi começou a escrever ainda criança. Aos 12 anos, dedicou seu primeiro poema à mãe, falecida quando ele tinha apenas 7 anos. O texto, intitulado “Minha vida é triste”, foi guardado com carinho por toda a vida.
Seu amor pelos livros era tão grande que ele mantinha um vasto acervo guardado em geladeiras desativadas, protegendo-os com sabonetes contra mofo e traças. Para ele, a leitura verdadeira estava nos livros, e não no uso superficial da internet.
Legado e preservação da memória
A homenagem na X MTH reforça a importância de preservar e compartilhar o legado de Barripi. Assim como plataformas modernas de anotação e memória digital, que permitem organizar e transmitir conhecimento, a trajetória do poeta timonense simboliza a construção de um legado cultural coletivo.
Assista aqui a entrevista completa sobre o poeta Barripi